Estava no Rio de Janeiro quando meu amigo me avisou que Morrissey viria no Brasil, fazendo shows em POA, SP e RJ. Na hora eu nem pensei na distância de nenhum dos lugares, muito menos em datas, até porque eu perderia a maioria de meus compromissos para assistir um dos meus ídolos musicais. Mesmo assim, passei um tempo indignado pelo fato de não ter show em belo horizonte, uma vez que a cidade teria público suficiente para encher ao menos o chevrolet hall.
Quase caí para trás ao descobrir que meus desejos tinham sido atendidos, ao ver que haviam cancelado o show de Porto Alegre para marcar um show em Bh, devido à 'problemas de logística' (isso não me engana, aposto que teve uma treta violenta por trás disso). Parecia como a realização de um antigo sonho, ver o antigo vocalista dos Smiths na minha frente, e ainda por cima relativamente perto da minha casa. Comprei o ingresso no primeiro dia que começaram a vender, na maior fomeagem, e sinceramente, só não comprei a pista vip porque além de cara eu acho um absurdo essa separação em show de rock. Aliás, é uma das atitudes mais 'antirock' que eu conheço. Se continuarem assim, daqui um tempo vão é entregar abadás nas entradas dos shows!!!!
[voltando ao assunto...]
A melhor coisa do show foi ter que esperar pouco tempo, pois começaram a vender em fevereiro, e o show seria em março, assim nem tive taaaanta ansiedade (lógico que contei os dias). Analisei o setlist dos shows anteriores, e previ um setlist para o show aqui em bh. Acho que só errei quando pensei que tocariam I want the one I can't have, que foi uma pena não terem tocado.
Sempre que vou no chevrolet hall, tenho o costume de ficar na pista mesmo. Mas, devido à PALHAÇADA da pista vip, fui assistir na arquibancada mesmo, e me surpreendi. A vista é até muito boa, dá para ver o show tranquilo, sem ninguém te esbarrando demais; perfeito para um show do Morrissey mesmo. Sobre a Kristeen Young, eu até me surpreendi. Pensei que seria um show chatão, maçante, que me faria perder a paciência e começar a gritar "morre" ou "seja breve" [como no histórico show da mallu magalhães que ousou abrir para o Jesus And Mary Chain] , mas foi legal, até porque eu me senti cativado pelo som diferente que a cantora produzia. Algo do tipo... uma mistura de Bjork com Patti Smith.
No intervalo, passaram alguns vídeos antigos, do New York Dolls, Nico, dentre outros... até que cai a cortina e lá estava ele: nosso amigo Moz. Como sempre, eu passei as primeiras músicas abismado e pensando "oh, olha ele ali, escuto desde que nasci, como que pode". Sei que a minha opinião como fã é viciada, mas a verdade é que o show é incrível. Os roadies cuidaram muito bem do som do c.hall, que costuma ser péssimo na maioria das vezes. Os membros da banda são excelentes (não ao nível de Marr, nós sabemos, mas mesmo assim são excelentes profissionais, usando camisas escritas "Assad is Shit"). E o Morrissey, bem...
A voz ainda é a mesma, com o mesmo estilo 'marrento' de show, com aqueles 'aaarrrghh' no meio das músicas, marca registrada de seus shows desde a época dos smiths. Interessante é que ele está até bem em forma, em comparação à cantores de sua idade. Tanto é que tirou a camisa 2 vezes, e a jogou para a plateia (foi uma briga legal de ver de cima, admito), exibindo que está até 'fortinho', hahaha. O pessoal vibrava muito, inclusive eu, que estava que nem um retardado cantando as músicas como se fosse a última coisa que eu fosse fazer na vida.
Tentei segurar e bancar o machão durante todo o show, mas quando tocou There is a Light that never goes out, eu simplesmente não aguentei. Veio tanta coisa na minha cabeça, vinis, minha infância, minha adolescência, pessoas, enfim, todos os infinitos momentos da minha vida que essa música esteve presente, que eu quase engasguei no choro ao berrar como criança que tem uma luz que nunca se apaga. Mas eu já sabia que eu iria chorar, ainda bem que deixei avisado pra ninguém me zuar, mesmo :)
Interessante é que muita gente saiu do show chocada após ouvir 'Meat is Murder' ao vivo. Durante o show, colocaram ao fundo um vídeo com animais sendo sacrificados. Muita gente ficou abalada e pensa em aderir ao vegetarianismo (ouvi vários comentários). Bom, sobre mim, sinto muito, Moz, mas dessa vez não vai dar, amo muito carne e não fiquei tão comovido assim. Talvez seja porque eu não vi o vídeo direito e não gosto tanto dessa música.
Na saída do show, era simplesmente maravilhoso. Todas as pessoas sorriam, todo mundo estava feliz. Não tinha quem dissesse que o show fora ruim, a não ser algum desatualizado que esperou que eles fossem tocar só músicas dos smiths no show. Pessoal com olhos vermelhos, olhando para os lados, sem falarem nada. Com certeza a quinta feira seria um dia diferente para todo mundo que estava ali. Poderia ficar narrando todas as músicas aqui, mas enfim, isso não tem graça, até porque todos os outros sites de crítica musical devem fazer isso. Fica aqui só um registro de como esse show foi fantástico mesmo!
domingo, 11 de março de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Dicas para feriado
Antes de postar assim, eu já tinha escrito 70% de um post ensinando 'como apresentar uma banda a alguém', mas achei o conteúdo extremamente fraco, e resolvi mudar de assunto. Não nego que quando penso em música, não consigo imaginar muita coisa a não ser "Mês que vem tem show do Morrissey", mas vou deixar para falar disso depois que assistir o show.
[Tentei escrever algo sobre o carnaval, mas não saiu nada também, até porque eu não gosto muito dessa data e não conseguiria escrever nada que não ridicularizasse a data]
Bom, tudo bem se eu não escrever nada, né? De quebra, vou indicar 3 discos interessantes para se escutar até o fim da semana, de acordo com o meu padrão sinestésico de música/cor:
Verde: Marvin Gaye - What's Going On. Quando escutei esse a primeira vez, acho que ouvi mais umas 4 vezes seguidas, de tanto que achei sensacional. As letras também são muito boas, aquela coisa meio 'quê que tá havendo com o mundo', saca? World Music de primeira.
Cinza: Nico - Chelsea Girl. Bem tranquilo, com a voz maravilhosa de Nico. Ideal para a quarta-feira de cinzas mesmo, deitar e pensar na vida. These Days é a música.
'Mármore' (essa cor existe?): Jesus And Mary Chain - Automatic. Baterias eletrônicas mega-datadas, guitarras afiadas, a voz distorcida de Jim Reid. Nocie Pop para quem quer ouvir um pop de qualidade, mas com uma pequena pitada de agressividade.
[Tentei escrever algo sobre o carnaval, mas não saiu nada também, até porque eu não gosto muito dessa data e não conseguiria escrever nada que não ridicularizasse a data]
Bom, tudo bem se eu não escrever nada, né? De quebra, vou indicar 3 discos interessantes para se escutar até o fim da semana, de acordo com o meu padrão sinestésico de música/cor:
Verde: Marvin Gaye - What's Going On. Quando escutei esse a primeira vez, acho que ouvi mais umas 4 vezes seguidas, de tanto que achei sensacional. As letras também são muito boas, aquela coisa meio 'quê que tá havendo com o mundo', saca? World Music de primeira.
Cinza: Nico - Chelsea Girl. Bem tranquilo, com a voz maravilhosa de Nico. Ideal para a quarta-feira de cinzas mesmo, deitar e pensar na vida. These Days é a música.
'Mármore' (essa cor existe?): Jesus And Mary Chain - Automatic. Baterias eletrônicas mega-datadas, guitarras afiadas, a voz distorcida de Jim Reid. Nocie Pop para quem quer ouvir um pop de qualidade, mas com uma pequena pitada de agressividade.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
O tal do "Tio Bob"
Ah, o famoso Bob Marley. Ídolo de uma geração de garotos e garotos que se dizem 'rasta', sem ao menos saber o que significa nada disso (ou então pensam que ser 'rasta' é ouvir reggae e comprar roupas da reggae nation), e muitas vezes sem saber o que o próprio Bob significou para a Jamaica ou para o reggae. Seria interessante escrever sobre toda a importância de um dos nomes mais famosos da música, mas o objetivo desse post é algo mais... bem, cômico: mostrar o que é o Bob Marley na cultura pop.
---
Desde que eu me entendo por gente eu vejo pessoas caminhando pelas ruas com uma camisa com seu rosto estampado, ou então adesivos de carro, 96,21% das vezes assemelhando a imagem de Marley à maconha e às cores verde, amarelo e vermelho (preto também, às vezes). No mundo de hoje, eu já não sei qual efeito se torna mais forte: a imagem de quem usa uma camisa de Bob Marley ser um usuário de maconha ou o usuário de maconha imediatamente ser categorizado como um fã de Bob Marley! As outras características do astro, como ter 23732904³² filhos, sua questão com o câncer ou o engajamento político/religioso são praticamente desprezadas (pois é, usar uma camisa do Bob Marley não vai ter dar uma imagem de 'pessoa com ótimos genes de reprodução ou "inimigo do sistema"').
Quem fica feliz com a situação são os fabricantes de camisas e outros produtos, que lucram horrores com essa moda eterna. Chega a ser impressionante: se uma pessoa da turma compra qualquer coisa do Bob Marley, em 2 ou 3 dias está todo o seu ciclo social com apetrechos do reggaeiro. Isso quando um não cisma de sair escrevendo falsas frases do "Tio Bob" para cima e para baixo, sem ao menos ter certeza que as frases são dele mesmo. Ou alguém realmente acha que o Bob Marley falou algo do tipo "A vida é para quem topa qualquer parada. Não para quem pára em qualquer topada"?!?! Isso parece frase de filme de Sessão da Tarde!
Mas sim, tem a parte legal - pelo menos o 'fã' de Bob Marley está ouvindo coisa boa, já que Bob + The Wailers realmente é fantástico de se escutar. Não tem jeito de negar que músicas como Redemption Song são maravilhosas, e ... aah, o fã de Bob Marley não escuta Bob Marley? Como assim? Nem Is This Love, a mais conhecida? Bom, a situação vai ficando um pouco caótica quando se vê que o próprio fã nem conhece o artista direito, a não ser aquela foto que ele está 'fumando um'. É legal também quando você encontra com o fã de Bob Marley, indo em direção à igreja:
(fulano:) - E aí cara, beleza?
('fã' de Marley:) - Colé irmãozinho, a paz de Jah...
(fulano:) - Tá indo para a igreja rezar um pouco?
('fã' de Marley:) - Nada, irmão... mudei de religião, agora eu sou rastafári, leão da tribo Judá, tá me entendendo? Tô indo ali é para sentar na pracinha para entrar em harmonia com a natureza, entende...?
(fulano:) -Ah, sim...tudo bem! Fique em paz com a natureza e Jeová, então!
('fã' de Marley:) - Jeová? Quem é esse?
(fulano:) - (...) Não, nada não! Até a próxima!
('fã' de Marley:) - Até, irmãozinho! Muita paz e raiz pra tu!
(fulano:) "raiz?"
Sim, raiz. Raiz (ou roots) é uma das palavras símbolos dos fãs de Bob Marley. (Nesse ponto, já dá pra ver que o próprio Marley deve estar revirando no túmulo em ritmo de reggae, de tantas atrocidades e conexões erradas que fazem com sua imagem e seu nome). E do mesmo jeito que tem o "toca Raul", tem a galerinha indignada nas festas quando não tocam reggae. E pode estar tocando inclusive Jimmy Cliff, que eles estão berrando "toca o reggae RAIZ, O RAIZ, PORR@!" [acho que mais raiz que jimmy cliff é só se colocar uma semente de canabis na boca e fazer beatbox com ela] Aí tocam uma do Bob, mais ou menos famosa. E a galera começa a querer a ir embora : "não vão tocar o tio Bob, só esse reggae lixo aí"
Legal que graças ao Bob Marley, disseminou pelas pistas de dança (até pouco tempo atrás, porque agora tudo foi superado pelo shufflin' do LMFAO) o tal do 'joelhinho no queixo'. Isso é uma maravilha, porque dá um descanso danado na gente, e todo mundo começa a rir de ver o outro dançando, o que deixa a galera até em um estado de paz considerável, frente ao clima de briga que costuma ter nas danceterias.
[Esqueci de citar o tanto de gente que jogava com o Dee Jay no street fighter II só porque ele veio da Jamaica]
Acho que ao escrever tudo isso, me deu até vontade de escutar Marley, é sério! Mas depois que acabar o Ziggy [Stardust, é claro], que estou matando a saudade aqui.
---
Desde que eu me entendo por gente eu vejo pessoas caminhando pelas ruas com uma camisa com seu rosto estampado, ou então adesivos de carro, 96,21% das vezes assemelhando a imagem de Marley à maconha e às cores verde, amarelo e vermelho (preto também, às vezes). No mundo de hoje, eu já não sei qual efeito se torna mais forte: a imagem de quem usa uma camisa de Bob Marley ser um usuário de maconha ou o usuário de maconha imediatamente ser categorizado como um fã de Bob Marley! As outras características do astro, como ter 23732904³² filhos, sua questão com o câncer ou o engajamento político/religioso são praticamente desprezadas (pois é, usar uma camisa do Bob Marley não vai ter dar uma imagem de 'pessoa com ótimos genes de reprodução ou "inimigo do sistema"').
Quem fica feliz com a situação são os fabricantes de camisas e outros produtos, que lucram horrores com essa moda eterna. Chega a ser impressionante: se uma pessoa da turma compra qualquer coisa do Bob Marley, em 2 ou 3 dias está todo o seu ciclo social com apetrechos do reggaeiro. Isso quando um não cisma de sair escrevendo falsas frases do "Tio Bob" para cima e para baixo, sem ao menos ter certeza que as frases são dele mesmo. Ou alguém realmente acha que o Bob Marley falou algo do tipo "A vida é para quem topa qualquer parada. Não para quem pára em qualquer topada"?!?! Isso parece frase de filme de Sessão da Tarde!
Mas sim, tem a parte legal - pelo menos o 'fã' de Bob Marley está ouvindo coisa boa, já que Bob + The Wailers realmente é fantástico de se escutar. Não tem jeito de negar que músicas como Redemption Song são maravilhosas, e ... aah, o fã de Bob Marley não escuta Bob Marley? Como assim? Nem Is This Love, a mais conhecida? Bom, a situação vai ficando um pouco caótica quando se vê que o próprio fã nem conhece o artista direito, a não ser aquela foto que ele está 'fumando um'. É legal também quando você encontra com o fã de Bob Marley, indo em direção à igreja:
(fulano:) - E aí cara, beleza?
('fã' de Marley:) - Colé irmãozinho, a paz de Jah...
(fulano:) - Tá indo para a igreja rezar um pouco?
('fã' de Marley:) - Nada, irmão... mudei de religião, agora eu sou rastafári, leão da tribo Judá, tá me entendendo? Tô indo ali é para sentar na pracinha para entrar em harmonia com a natureza, entende...?
(fulano:) -Ah, sim...tudo bem! Fique em paz com a natureza e Jeová, então!
('fã' de Marley:) - Jeová? Quem é esse?
(fulano:) - (...) Não, nada não! Até a próxima!
('fã' de Marley:) - Até, irmãozinho! Muita paz e raiz pra tu!
(fulano:) "raiz?"
Sim, raiz. Raiz (ou roots) é uma das palavras símbolos dos fãs de Bob Marley. (Nesse ponto, já dá pra ver que o próprio Marley deve estar revirando no túmulo em ritmo de reggae, de tantas atrocidades e conexões erradas que fazem com sua imagem e seu nome). E do mesmo jeito que tem o "toca Raul", tem a galerinha indignada nas festas quando não tocam reggae. E pode estar tocando inclusive Jimmy Cliff, que eles estão berrando "toca o reggae RAIZ, O RAIZ, PORR@!" [acho que mais raiz que jimmy cliff é só se colocar uma semente de canabis na boca e fazer beatbox com ela] Aí tocam uma do Bob, mais ou menos famosa. E a galera começa a querer a ir embora : "não vão tocar o tio Bob, só esse reggae lixo aí"
Legal que graças ao Bob Marley, disseminou pelas pistas de dança (até pouco tempo atrás, porque agora tudo foi superado pelo shufflin' do LMFAO) o tal do 'joelhinho no queixo'. Isso é uma maravilha, porque dá um descanso danado na gente, e todo mundo começa a rir de ver o outro dançando, o que deixa a galera até em um estado de paz considerável, frente ao clima de briga que costuma ter nas danceterias.
[Esqueci de citar o tanto de gente que jogava com o Dee Jay no street fighter II só porque ele veio da Jamaica]
Acho que ao escrever tudo isso, me deu até vontade de escutar Marley, é sério! Mas depois que acabar o Ziggy [Stardust, é claro], que estou matando a saudade aqui.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
A Cereja do Bolo
Lembro que antigamente eu costumava dizer que a garota perfeita seria aquela que ouvisse Jesus And Mary Chain. É claro que, com o passar do tempo, eu vi que ninguém escuta JAMC (e por isso não há garotas perfeitas!), e comecei a estender a perfeição a garotas que ouvissem My Bloody Valentine. É óbvio que piorou, mas é somente uma brincadeira. Sei que, ultimamente, a garota perfeita pode se inserir também na categoria 'Escuta Sarah Records'.
Mês passado, me apresentaram à Sarah Records. Admito que nunca fui um fã de música muito preso à selos musicais, apesar de implicitamente entender a tendência da maioria deles, ou saber quais bandas pertencem à determinados selos, etc. Mas a Sarah... acho que foi amor à primeira vista, quer dizer, escutada. Parece até coisa de outro mundo imaginar que existiu uma gravadora entre 87 e 95 que produziu 100 singles da maneira mais pura do mundo.... é como se existisse uma gravadora que desse continuidade ao C-86 de maneira quase secreta até aos olhos dos amantes do estilo, e aparecesse agora. Quando eu ouvi pela primeira vez, o que eu pensei na hora foi exatamente "por que eu não conheci isso antes"?
É difícil bandas saberem fazer canções sobre inocência adulta, sem que soe retardado (vide a maioria das canções). Mas as bandas da Sarah conseguem fazer isso com perfeição. Another Sunny Day, Sea Urchins, Brighter.... é como eu sempre digo: atrás das paredes de som, há uma proposta extremamente pop, uma tentativa de mudar o que escutamos nas rádios por algo mais divertido e até mais suave, apesar dos 'fuzzes'. Através dos singles, podemos perceber claramente as influências e o cenário musical na inglaterra na virada dos anos 80/90. O Jesus And Mary Chain com seu PsychoCandy abriu portas para outras bandas que jamais sonhariam em fazer sucesso com um pop barulhento, ou qualquer coisa que soasse alternativo, enquanto que as melodias e as letras dos Smiths encorajavam as bandas a tratarem de novos temas em suas canções.
Para o pessoal que não viveu a época (tanto quem não viveu na Inglaterra, até como para pessoas que nem nascidas nessa época eram, como eu mesmo) é um pouco difícil de entender o contexto, principalmente porque estamos acostumados a ver o produto da 'geração alternativa' (isto é, a explosão do Nirvana e todos os discos míticos de 91). Mas é legal observar como surgiam bandas rapidamente na Inglaterra, mesmo com o boom do dance e do house. Enquanto a Creation estava preocupada com a sua Haçienda e os Happy Mondays da vida, Sarah lançava pequenos compactos, de bandas que nunca serão ao menos reconhecidas. Dos singles que escutei, não teve um que eu possa ter julgado como ruim, e é engraçado porque não soam tampouco repetitivos, mesmo com a limitação toda. A verdade é que não é tão simples assim sair fazendo wall of sounds, tem uma certa 'lógica' no fundo das canções.
Para um fã da C-86 e da indie music (de verdade) como eu, é uma satisfação imensa saber que houve algo como a Sarah Records. E o mais interessante foi o fato de terminarem após o lançamento de 100 singles, com os dizeres:
"a day for destroying things...
... because when you were nineteen
didn't YOU ever want to create something beautiful and pure
just so that one day you could set it on fire
and then watch the city light up as it burned?
Didn't you want to do that every day of your life?
Nothing should be forever.
Bands should do one single and then split-up,
fanzines finish after one flawless issue,
lovers leave in the rain at 5am and never be seen again -
Habit and fear of change are the worst reasons for ever doing ANYTHING.
Stopping a record-label after 100 perfect releases
is the most gorgeous pop art-statement ever
and says more about pop-music than any two-part digipak
limited-edition coloured-vinyl 7"
grimly authentic lo-fi ten-track EP
(or any other marketing gimmick)
ever will.
Sarah Records is owned by no-one but us,
so it's OURS to create and destroy how we want
and we don't do encores.
We want to burn in bright colours and go pop,
to be giddy, impulsive and silly,
to kiss people in new places -
EXQUISITELY
- and dare to tear things apart.
The first act of revolution is destruction
and the first thing to destroy is THE PAST.
scary
like falling in love
it reminds us we're alive
Sarah Records 1987 - 1995"
Isso é tão.... the pains of being pure at heart, não é mesmo? O mundo anda tão corrompido, com gustavo lima e você que o próprio pessoal da Sarah Records previu isso e preferiu parar com tudo, antes que a própria Sarah se corrompesse. Quem sabe um dia, como diria o breno, as pontes de Bristol voltem a brilhar e haja algo parecido com a Sarah Records!
baixe singles da sarah records em www.amorloucobr.blogspot.com (que por sinal, é um blog excelente!!!)
----------------------------------------------------------------------
[momento você deveria ouvir....]
A Coletânea Não São Paulo I, de 1987!
----------------------------------------------------------------------
Próximo Post: BOB MARLEY!!!!!
Mês passado, me apresentaram à Sarah Records. Admito que nunca fui um fã de música muito preso à selos musicais, apesar de implicitamente entender a tendência da maioria deles, ou saber quais bandas pertencem à determinados selos, etc. Mas a Sarah... acho que foi amor à primeira vista, quer dizer, escutada. Parece até coisa de outro mundo imaginar que existiu uma gravadora entre 87 e 95 que produziu 100 singles da maneira mais pura do mundo.... é como se existisse uma gravadora que desse continuidade ao C-86 de maneira quase secreta até aos olhos dos amantes do estilo, e aparecesse agora. Quando eu ouvi pela primeira vez, o que eu pensei na hora foi exatamente "por que eu não conheci isso antes"?
É difícil bandas saberem fazer canções sobre inocência adulta, sem que soe retardado (vide a maioria das canções). Mas as bandas da Sarah conseguem fazer isso com perfeição. Another Sunny Day, Sea Urchins, Brighter.... é como eu sempre digo: atrás das paredes de som, há uma proposta extremamente pop, uma tentativa de mudar o que escutamos nas rádios por algo mais divertido e até mais suave, apesar dos 'fuzzes'. Através dos singles, podemos perceber claramente as influências e o cenário musical na inglaterra na virada dos anos 80/90. O Jesus And Mary Chain com seu PsychoCandy abriu portas para outras bandas que jamais sonhariam em fazer sucesso com um pop barulhento, ou qualquer coisa que soasse alternativo, enquanto que as melodias e as letras dos Smiths encorajavam as bandas a tratarem de novos temas em suas canções.
Para o pessoal que não viveu a época (tanto quem não viveu na Inglaterra, até como para pessoas que nem nascidas nessa época eram, como eu mesmo) é um pouco difícil de entender o contexto, principalmente porque estamos acostumados a ver o produto da 'geração alternativa' (isto é, a explosão do Nirvana e todos os discos míticos de 91). Mas é legal observar como surgiam bandas rapidamente na Inglaterra, mesmo com o boom do dance e do house. Enquanto a Creation estava preocupada com a sua Haçienda e os Happy Mondays da vida, Sarah lançava pequenos compactos, de bandas que nunca serão ao menos reconhecidas. Dos singles que escutei, não teve um que eu possa ter julgado como ruim, e é engraçado porque não soam tampouco repetitivos, mesmo com a limitação toda. A verdade é que não é tão simples assim sair fazendo wall of sounds, tem uma certa 'lógica' no fundo das canções.
Para um fã da C-86 e da indie music (de verdade) como eu, é uma satisfação imensa saber que houve algo como a Sarah Records. E o mais interessante foi o fato de terminarem após o lançamento de 100 singles, com os dizeres:
"a day for destroying things...
... because when you were nineteen
didn't YOU ever want to create something beautiful and pure
just so that one day you could set it on fire
and then watch the city light up as it burned?
Didn't you want to do that every day of your life?
Nothing should be forever.
Bands should do one single and then split-up,
fanzines finish after one flawless issue,
lovers leave in the rain at 5am and never be seen again -
Habit and fear of change are the worst reasons for ever doing ANYTHING.
Stopping a record-label after 100 perfect releases
is the most gorgeous pop art-statement ever
and says more about pop-music than any two-part digipak
limited-edition coloured-vinyl 7"
grimly authentic lo-fi ten-track EP
(or any other marketing gimmick)
ever will.
Sarah Records is owned by no-one but us,
so it's OURS to create and destroy how we want
and we don't do encores.
We want to burn in bright colours and go pop,
to be giddy, impulsive and silly,
to kiss people in new places -
EXQUISITELY
- and dare to tear things apart.
The first act of revolution is destruction
and the first thing to destroy is THE PAST.
scary
like falling in love
it reminds us we're alive
Sarah Records 1987 - 1995"
Isso é tão.... the pains of being pure at heart, não é mesmo? O mundo anda tão corrompido, com gustavo lima e você que o próprio pessoal da Sarah Records previu isso e preferiu parar com tudo, antes que a própria Sarah se corrompesse. Quem sabe um dia, como diria o breno, as pontes de Bristol voltem a brilhar e haja algo parecido com a Sarah Records!
baixe singles da sarah records em www.amorloucobr.blogspot.com (que por sinal, é um blog excelente!!!)
----------------------------------------------------------------------
[momento você deveria ouvir....]
A Coletânea Não São Paulo I, de 1987!
----------------------------------------------------------------------
Próximo Post: BOB MARLEY!!!!!
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Especial de Natal - "O Tal do Sertanejo Universitário"
[atenção: embora esse texto tenha pitadas de humor, sempre há ignorantes que criam caso com tudo. Por isso, te aconselho a nem ler se gostar de Sertanejo Universitário]
De tempos em tempos surge no meio musical alguma proposta nova, um estilo novo, ou até mesmo uma ideia nova em forma de música. Para não sermos amplos demais, vamos nos limitar a algumas pinceladas. De Carmen Miranda ao Bidê ou Balde, podemos ver vários temas, várias inovações e até algumas ações judiciais decorrentes dos conteúdos das letras. Nos últimos 20 anos, no solo brasileiro tivemos a oportunidade de presenciar a explosão do tecno, a cultura rave, o funk carioca de antes e depois do Furacão 2000, as músicas infantis, o charm, o tecnobrega, o forró, os remanescentes do punk rock oitentista, o pop-rock, os grandeshipermegagigantescos grupos de pagode, o emo, o colorido, a febre do axé, etc. É claro que estão faltando vários outros gêneros, mas eu não consultei nada para escrever isso, e além do mais, está tarde, mal estou conseguindo enxergar o que estou escrevendo. Desses outros gêneros que estão faltando, podemos destacar o nosso querido sertanejo, que foi se constituindo da moda de viola, do caipira e emplacando nas rádios com as queridas canções feitas pelos A-M-I-G-O-S (quem lembra? hã?).
Pelo fato do Brasil ser um país em que querendo ou não várias regiões ainda estão em processo de 'êxodo rural', canções que falassem sobre a vida da roça comoviam não só o pessoal do interior, mas também todos aqueles que largaram suas vidas simples para tentarem ganhar a vida na capitar, mesmo nos anos 90. Misturar isso ao fato do abandono da amada, e ainda por cima jogar um cavalo e uma boiada no meio, jogada de mestre. Citar cachaça no meio? Genial! Reforçar de novo o sofrimento pela mulher amada, que em uma hora dessa está longe com outro? Super. O sertanejo (que se tornou uma mistura do country com a moda de viola) conquistou o coração do brasileiro de vez, já que qualquer ser humano já sofreu de amor uma vez na vida, e misturar a nostalgia da vida no interior com novidades tecnológicas em nossas vidas "liga pra mim, não não liga pra ele" é o equivalente hoje ao "me adiciona no facebook!". Era cafona, era brega, mas tinha uma proposta simples, cantores carismáticos e batalhadores, duplas em que um cantava e o outro fornecia o suporte (isto é, fazia aquela voz de taquara rachada no fundo, no fim ficava legal). O sertanejo conquistou o coração das massas. A maior prova disso são as rádios, os discos de platina, os shows com casa lotada. Em momentos de fossa, dá até para cantar junto. (mentira, nos meus momentos de fossa eu escuto o Faith, do Cure, ou o Kid A, do Radiohead)
Tudo poderia terminar assim, se não fosse a soma de vários fatores culturais que conseguem transformar (no caso, piorar) qualquer quadro músico-social (isso existe? se não existir, inventei agora). Nas últimas décadas, nosso país criou uma cultura de que "você só será alguém se tiver uma faculdade", o que forçou várias pessoas a entrarem em um curso superior pelo simples fato de 'ter um diploma e arranjar um emprego mais ou menos'. É óbvio que isso sucateou as universidades, sejam públicas ou privadas, porque ninguém tinha interesse em adquirir conhecimento, somente decorar alguma função técnica e repetí-la o resto da vida ou então estampar o seu lindo diplominha na sala de casa; ou ser o orgulho da mamãe. Concluindo, ter um diploma de curso superior na prática não te torna superior a nada.
Mas o que isso tem a ver com o sertanejo? [ bom, na verdade nada, mas se esse post é um especial de Natal, tem que ter algo novo, talvez um ponto de vista novo]
Tem tudo a ver. O povo brasileiro escolheu o sertanejo como seu estilo musical favorito. E esse mesmo povo brasileiro, adentrado na cultura de 'vamos ser alguém na vida com o simples fato de ter um papelzinho dizendo que tenho um ensino superior' é fã de sertanejo. Até aí tudo bem, tranquilaço. O problema surge, quando essa mesma galerinha 'de vanguarda', resolve criar o SERTANEJO UNIVERSITÁRIO, ou seja, o sertanejo para ser tocado em ambientes universitários, nas festinhas universitárias, que refletisse todo o espírito em que a universidade se moldou. O que era pra ser algo que se restringisse à festinhas, calouradas e afins, se tornou tão grande a ponto de fagocitar o próprio sertanejo original (infinitamente mais rico e original), e se multiplicar até estar presente em cada moradia, seja na boca das pessoas, no rádio, nas mp3, nos discos ou no ódio de quem o repudia.
Era algo tão simples e minúsculo, que ninguém poderia imaginar a dimensão que alcançaria. No início, eram apenas duplas de quinta categoria, regravando canções já consagradas por ídolos nacionais como Zezé Di Camargo e Luciano. Pessoal curtia, ia nos shows nas exposições das cidades do interior, festinhas da faculdade, e pronto. Aos poucos, a febre foi contaminando tudo, e chegou a um ponto que estava faltando até nome para as duplas sertanejas, de tanta gente aparecendo de uma hora pra outra. As nossas queridas gravadoras e distribuidoras viram na hora que o negócio era fonte de grana, e logo deram um jeito de pegar a galera e jogar no mercado. Em questão de poucos anos, o tal do sertanejo universitário já era um gigante no meio dos outros gêneros musicais. Sobre as letras? Bom, eu ainda não consegui encontrar alguma letra, é sério. A boiada, a 'vida boa' (com exceção do Vitor e Léo que honraram), e até a mulher amada foram ficando de lado, para entrar em cena o ... não sei! As letras não fazem sentido algum.
Quando pensei que não poderia piorar nada, até a 'broderagem da dupla' o sertanejo universitário rompeu, passando para apenas uma pessoa no palco. A impressão que ficou é que depois disso, o pessoal parou até de cantar para fazer alguns 'grunhidos' com a boca, ou o uso de onomatopeias para dizerem que vão fazerem sexo. Isso quando não usam alguma palavra que ao cantar rápido, dá a impressão de que querem dizer outra coisa. O que eu não consigo entender mesmo, é como que tem gente que ainda por cima vê graça nisso. Sou uma pessoa tolerante, costumo tentar entender a origem das coisas, o porquê das coisas, o que leva o pessoal a agir de tal modo.... durante algum tempo, fiz uma força danada para enxergar o sertanejo universitário como o punk rock. Notas repetitivas, estrofes repetitivas e fáceis de decorar, despretensão... seria o sertanejo universitário o punk rock contemporâneo?
MAS É CLARO QUE NÃO. O punk tinha um cunho político, toda uma ideologia atrás, e o principal, ele mesmo viu que deveria progredir (veja o post-punk e toda a vertente, que se iniciou com o próprio J. Rotten e seu P.I.L), ficando só o que havia de bom. Já o sertanejo universitário é um pouco complicado, porque eu não consigo ver nada de bom. Voltando à comparação feita anteriormente, o sertanejo universitário reflete a situação em que anda nosso ensino superior: fraco, repetitivo, sem futuro, mero copiador (porque qualquer meio sucesso mal é emplacado, já é "asertanejado"). Chega a ser preocupante, de verdade. Enquanto isso, vemos bandas dando sangue, ensaiando dia e noite, mandando demos para todas as gravadoras do universo, mas não obtêm êxito, uma vez que o showbizz está preocupado com o adestramento do pessoal. Assim vocês me matam. Cada um é livre para gostar e escutar o que quiser, sei que a galera gosta, mas será mesmo que isso é a melhor coisa que tá tendo para escutar / ver / etc? Particularmente, até os funks proibidões, os pagodes e tudo o mais estão mais aceitáveis que essa onda de lavagem cerebral vinda do sertanejo universitário. Não há proposta, não há letra, não há nada. E eu sei que o pessoal que escuta universitário, na maioria das vezes, não se importam em ouvir outra coisa, porque geralmente é o pessoal que não está ligando para nada, só quer o agito. Se for assim, pelo menos escutem algo mais construtivo, ou que pelo menos tenha um mínimo de nexo. Se pelo menos voltarem a escutarem o sertanejo convencional; já é um salto quântico!
Quero finalizar esse texto sendo otimista, acreditando que daqui um tempo toda essa farra será esquecida e as pessoas ficarão rindo por um dia gostarem disso. Bom deixar claro aqui que não estou chamando quem gosta de sertanejo universitário de burro, e sim fazendo um convite para conhecerem coisas melhores. Aproveitando a deixa aqui, para levarem o ensino superior mais à sério também, hahaha! Espero que essaterror febre do sertanejo universitário passe logo, aliás, que essa fase ruim de nossa música passe logo, porque eu tenho até dó do pessoal mais jovem, que estão se engatando à vida adulta ao som de Restart...
--------------------------------------------------------------------------------------
obs 1: Feliz Natal!
obs 2: Próximo post com certeza será sobre Sarah Records!
obs 3: Pensando seriamente aqui em fazer uma coletânea com a proposta Não Belo Horizonte. Será que ainda dá tempo?
De tempos em tempos surge no meio musical alguma proposta nova, um estilo novo, ou até mesmo uma ideia nova em forma de música. Para não sermos amplos demais, vamos nos limitar a algumas pinceladas. De Carmen Miranda ao Bidê ou Balde, podemos ver vários temas, várias inovações e até algumas ações judiciais decorrentes dos conteúdos das letras. Nos últimos 20 anos, no solo brasileiro tivemos a oportunidade de presenciar a explosão do tecno, a cultura rave, o funk carioca de antes e depois do Furacão 2000, as músicas infantis, o charm, o tecnobrega, o forró, os remanescentes do punk rock oitentista, o pop-rock, os grandeshipermegagigantescos grupos de pagode, o emo, o colorido, a febre do axé, etc. É claro que estão faltando vários outros gêneros, mas eu não consultei nada para escrever isso, e além do mais, está tarde, mal estou conseguindo enxergar o que estou escrevendo. Desses outros gêneros que estão faltando, podemos destacar o nosso querido sertanejo, que foi se constituindo da moda de viola, do caipira e emplacando nas rádios com as queridas canções feitas pelos A-M-I-G-O-S (quem lembra? hã?).
Pelo fato do Brasil ser um país em que querendo ou não várias regiões ainda estão em processo de 'êxodo rural', canções que falassem sobre a vida da roça comoviam não só o pessoal do interior, mas também todos aqueles que largaram suas vidas simples para tentarem ganhar a vida na capitar, mesmo nos anos 90. Misturar isso ao fato do abandono da amada, e ainda por cima jogar um cavalo e uma boiada no meio, jogada de mestre. Citar cachaça no meio? Genial! Reforçar de novo o sofrimento pela mulher amada, que em uma hora dessa está longe com outro? Super. O sertanejo (que se tornou uma mistura do country com a moda de viola) conquistou o coração do brasileiro de vez, já que qualquer ser humano já sofreu de amor uma vez na vida, e misturar a nostalgia da vida no interior com novidades tecnológicas em nossas vidas "liga pra mim, não não liga pra ele" é o equivalente hoje ao "me adiciona no facebook!". Era cafona, era brega, mas tinha uma proposta simples, cantores carismáticos e batalhadores, duplas em que um cantava e o outro fornecia o suporte (isto é, fazia aquela voz de taquara rachada no fundo, no fim ficava legal). O sertanejo conquistou o coração das massas. A maior prova disso são as rádios, os discos de platina, os shows com casa lotada. Em momentos de fossa, dá até para cantar junto. (mentira, nos meus momentos de fossa eu escuto o Faith, do Cure, ou o Kid A, do Radiohead)
Tudo poderia terminar assim, se não fosse a soma de vários fatores culturais que conseguem transformar (no caso, piorar) qualquer quadro músico-social (isso existe? se não existir, inventei agora). Nas últimas décadas, nosso país criou uma cultura de que "você só será alguém se tiver uma faculdade", o que forçou várias pessoas a entrarem em um curso superior pelo simples fato de 'ter um diploma e arranjar um emprego mais ou menos'. É óbvio que isso sucateou as universidades, sejam públicas ou privadas, porque ninguém tinha interesse em adquirir conhecimento, somente decorar alguma função técnica e repetí-la o resto da vida ou então estampar o seu lindo diplominha na sala de casa; ou ser o orgulho da mamãe. Concluindo, ter um diploma de curso superior na prática não te torna superior a nada.
Mas o que isso tem a ver com o sertanejo? [ bom, na verdade nada, mas se esse post é um especial de Natal, tem que ter algo novo, talvez um ponto de vista novo]
Tem tudo a ver. O povo brasileiro escolheu o sertanejo como seu estilo musical favorito. E esse mesmo povo brasileiro, adentrado na cultura de 'vamos ser alguém na vida com o simples fato de ter um papelzinho dizendo que tenho um ensino superior' é fã de sertanejo. Até aí tudo bem, tranquilaço. O problema surge, quando essa mesma galerinha 'de vanguarda', resolve criar o SERTANEJO UNIVERSITÁRIO, ou seja, o sertanejo para ser tocado em ambientes universitários, nas festinhas universitárias, que refletisse todo o espírito em que a universidade se moldou. O que era pra ser algo que se restringisse à festinhas, calouradas e afins, se tornou tão grande a ponto de fagocitar o próprio sertanejo original (infinitamente mais rico e original), e se multiplicar até estar presente em cada moradia, seja na boca das pessoas, no rádio, nas mp3, nos discos ou no ódio de quem o repudia.
Era algo tão simples e minúsculo, que ninguém poderia imaginar a dimensão que alcançaria. No início, eram apenas duplas de quinta categoria, regravando canções já consagradas por ídolos nacionais como Zezé Di Camargo e Luciano. Pessoal curtia, ia nos shows nas exposições das cidades do interior, festinhas da faculdade, e pronto. Aos poucos, a febre foi contaminando tudo, e chegou a um ponto que estava faltando até nome para as duplas sertanejas, de tanta gente aparecendo de uma hora pra outra. As nossas queridas gravadoras e distribuidoras viram na hora que o negócio era fonte de grana, e logo deram um jeito de pegar a galera e jogar no mercado. Em questão de poucos anos, o tal do sertanejo universitário já era um gigante no meio dos outros gêneros musicais. Sobre as letras? Bom, eu ainda não consegui encontrar alguma letra, é sério. A boiada, a 'vida boa' (com exceção do Vitor e Léo que honraram), e até a mulher amada foram ficando de lado, para entrar em cena o ... não sei! As letras não fazem sentido algum.
Quando pensei que não poderia piorar nada, até a 'broderagem da dupla' o sertanejo universitário rompeu, passando para apenas uma pessoa no palco. A impressão que ficou é que depois disso, o pessoal parou até de cantar para fazer alguns 'grunhidos' com a boca, ou o uso de onomatopeias para dizerem que vão fazerem sexo. Isso quando não usam alguma palavra que ao cantar rápido, dá a impressão de que querem dizer outra coisa. O que eu não consigo entender mesmo, é como que tem gente que ainda por cima vê graça nisso. Sou uma pessoa tolerante, costumo tentar entender a origem das coisas, o porquê das coisas, o que leva o pessoal a agir de tal modo.... durante algum tempo, fiz uma força danada para enxergar o sertanejo universitário como o punk rock. Notas repetitivas, estrofes repetitivas e fáceis de decorar, despretensão... seria o sertanejo universitário o punk rock contemporâneo?
MAS É CLARO QUE NÃO. O punk tinha um cunho político, toda uma ideologia atrás, e o principal, ele mesmo viu que deveria progredir (veja o post-punk e toda a vertente, que se iniciou com o próprio J. Rotten e seu P.I.L), ficando só o que havia de bom. Já o sertanejo universitário é um pouco complicado, porque eu não consigo ver nada de bom. Voltando à comparação feita anteriormente, o sertanejo universitário reflete a situação em que anda nosso ensino superior: fraco, repetitivo, sem futuro, mero copiador (porque qualquer meio sucesso mal é emplacado, já é "asertanejado"). Chega a ser preocupante, de verdade. Enquanto isso, vemos bandas dando sangue, ensaiando dia e noite, mandando demos para todas as gravadoras do universo, mas não obtêm êxito, uma vez que o showbizz está preocupado com o adestramento do pessoal. Assim vocês me matam. Cada um é livre para gostar e escutar o que quiser, sei que a galera gosta, mas será mesmo que isso é a melhor coisa que tá tendo para escutar / ver / etc? Particularmente, até os funks proibidões, os pagodes e tudo o mais estão mais aceitáveis que essa onda de lavagem cerebral vinda do sertanejo universitário. Não há proposta, não há letra, não há nada. E eu sei que o pessoal que escuta universitário, na maioria das vezes, não se importam em ouvir outra coisa, porque geralmente é o pessoal que não está ligando para nada, só quer o agito. Se for assim, pelo menos escutem algo mais construtivo, ou que pelo menos tenha um mínimo de nexo. Se pelo menos voltarem a escutarem o sertanejo convencional; já é um salto quântico!
Quero finalizar esse texto sendo otimista, acreditando que daqui um tempo toda essa farra será esquecida e as pessoas ficarão rindo por um dia gostarem disso. Bom deixar claro aqui que não estou chamando quem gosta de sertanejo universitário de burro, e sim fazendo um convite para conhecerem coisas melhores. Aproveitando a deixa aqui, para levarem o ensino superior mais à sério também, hahaha! Espero que essa
--------------------------------------------------------------------------------------
obs 1: Feliz Natal!
obs 2: Próximo post com certeza será sobre Sarah Records!
obs 3: Pensando seriamente aqui em fazer uma coletânea com a proposta Não Belo Horizonte. Será que ainda dá tempo?
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
UMF 2011
Sei que já está um pouquinho tarde para escrever sobre o UMF, principalmente porque a maioria das matérias saíram no dia mesmo. A diferença é que o pessoal ganha pra ficar escrevendo e trabalha com isso, e eu não! Assim, vou escrever hoje mesmo, que foi quando sobrou um tempinho para falar sobre.
De festivais de música eletrônica, o máximo que eu já tinha chegado perto é dessas festas que começam normal e terminam em rave (Isto é, na minha cidade natal são as típicas festas que dizem ser de rock, você chega lá encontra uma micareta danada e no final todo mundo louco pagando de trancer na pista). Ano passado eu quase animei ir na tal da Playground por causa dos brinquedos, e ainda bem que não fui porque descobri depois que tinha no máximo uns 4, e dos muito toscos. Assim, Lá fui eu, totalmente inexperiente no maior festival de música eletrônica do Brasil.
É claro que eu só estava indo para ver o New Order. Nem conhecia direito o resto das bandas ou DJ's, e pouco me importava quem estaria lá. Como fã de N.O. e Joy Division, seria muito difícil que qualquer nome no line up do festival não passasse por mim como irrelevante. Entretanto, já que eu estava lá, seria uma boa hora para entender como funcionam esses festivais, a lógica, orgnanização, público, etc. Vamos lá:
* Local: Sambódromo do Anhembi. Localização ótima, perto da rodoviária, em um lugar asfaltado, impossibilitando lamaçal. No início tive algumas dúvidas sobre a acústica do local, sobre a alocação de pessoas na hora dos shows, etc. Mas correu até tudo bem. A organização foi impecável. Distribuíram porta bitucas, colocaram um grupo de pessoas à disposição para mostrar o processo de reciclagem dos lixos, além de coleta seletiva. Nem precisa dizer que pareceu muito mais sustentável que o SWU, né. Falando nisso, os preços não estavam tão abusivos (sempre são, né, mas pelo menos estavam a nível de festival mesmo). Disponibilizaram algumas cadeiras para o pessoal sentar, o que foi uma boa na hora de comer, porque ninguém aguenta ir em um festival e até na hora de comer ficar em pé.
Os palcos ficaram organizadinhos, telões bacanas, etc. Não vi nada a respeito, mas desconfio que o pessoal do Planeta Terra Festival esteve envolvido na organização. Foi bem o estilinho.
* Público: Altamente variado. Como sempre, tinham os metidos a moderninhos e pagantes de alternativos, que demoram 19 horas só para escolher a camisa que vão ao festival. O pessoal que queria ver o New Order geralmente era mais velho e mais sério. No mais, um público muito bonito e produzido, que foi para ver o show dos DJ's. Nas área vip, riquinhos paulistas e 'vips' esbanjando ... mediocridade. (É claro que não dá pra generalizar)
* Shows:
Copacabana Club: Acho que essa banda está cada vez melhor. Pena que foi a primeira banda a tocar, então não tinha um público muito grande. Gostei mais ainda desse show do que a primeira vez que os assisti, aqui em Belo Horizonte (até porque não teve problemas de som como houve na última vez).Acredito que daqui um tempo terão uma projeção ainda maior, principalmente por causa do pessoal da banda, que parecem ser muito simpáticos
Soulwax: Um eletrônico beem agressivão, curti. Lembro que antes do show começar, eu disse que "ia pular para não estressar ao esperar o New Order", mas acabei pulando de verdade. O pessoal sabe fazer som pesado com sintetizadores, pesado ao ponto de até incomodar, algumas vezes. O único problema é que as músicas soavam muito parecidas. Se for para fazer algo parecido, deveriam ser mais minimalistas, soaria melhor. Mas mesmo assim, gostei muito e quero até ouvir melhor posteriormente.
New Order: bom, para escrever sobre o new order, preciso separar meu eu crítico em 2.
1- Como fã de Joy Division: Fantástico, vi 2 dos membros da formação original da banda, tocaram Ceremony, uma das últimas músicas do Joy. Uma pena Peter Hook não estar mais na banda, e eu não ter visto Stephen Morris passear no meio do povo antes do show começar, acho que até infartaria.
2- Como fã de New Order: Simplesmente um desrespeito com os fãs. Primeiramente, por saírem anunciando por aí que New Order seria uma das atrações principais. Não foi nem longe disso, a banda tocou como uma iniciante, 'abrindo' show para DJ's que na maioria nem tem música própria direito. Isso é quase inconcebível dentro do mundo da música eletrônica. Depois, que os roadies e a organização demoraram um tempão para arrumar os equipamentos em cima do palco, e ainda por cima fizeram tudo errado. Quando tocaram 'crystal', não deu para ouvir nem a voz de Sumner direito. Aos poucos, foram organizando o som, até porque a banda reclamava em cada intervalo... Gillian Gilbert, multiinstrumentista que voltou pra banda, fez questão de manter seu jeitinho blasé e nem cumprimentar a plateia, que berrava seu nome. Quanta chatice. Até Jim Reid deu um tchauzinho, quando veio em 2008 no brasil com o JAMC...
Enfim, eu esperava pelo menos 15 músicas, e eles tocaram 9. Tudo bem, que tocaram os sucessos e tal, mas não vingou. No momento que saíram do palco, pensei na hora "aaah, vão voltar e tocar Love Will Tear Us Apart", mas nada. Foram embora e nem voltaram. Para quem viajou 500km pra ver só uma banda, foi um pouco decepcionante.
Death From Above 1979: Apesar de ser uma banda famosinha no meio alternativo, nunca tinha escutado antes. O máximo que eu conhecia era a citação da música do CSS (ótima música, por sinal). Mas, sinceramente, achei MUITO RUIM. Deu a impressão que são dois malucos que não sabem tocar nada e tentam ser os novos sonic youth fazendo barulhos sem sentido e sem um pingo de harmonia musical. Péssimo, péssimo. Nem mesmo a presença de Igor Cavalera no finalzinho me fez trocar de opinião. Não consegui nem assistir o show todo, de tanto que eu achei fraquinho. Aliás, estou cansado dessa mania que o pessoal está de fazer esse tipo de banda (faltando instrumento, tipo kills, white stripes, etc), somente alguns tem o dom e a verdade é que DFA1979 não tem. Coitados.
Dj's em geral: mesma coisa de sempre, mas pelo menos têm um gosto melhorado para samplear, o que faz um pouco de diferença na pista. Você realmente sente vontade de dançar, é uma espécie de lavagem cerebral. Quem toma doce para 'ficar doidão' nesses eventos particularmente vacila muito, porque a própria frequência da música já te deixa um pouquinho alterado (falo isso porque nem bebo e com 15 minutinhos já fico dançando que nem a maioria da galera que está Loaded).
Swedish House Mafia: Sobre esse trio de Dj's, tenho que escrever separadamente, porque realmente me chamaram a atenção. Sobre house music (O QUE CHAMAM HOJE DE HOUSE MUSIC NÉ, porque a impressão que se tem é que a clássica batida 4/4 da música eletrônica se corrompeu em um bate-estaca chato, na maioria das vezes), não entendo muita coisa, porém fiquei pasmo com o tanto que a galera pira nos caras. As músicas nem começavam, e o pessoal já estava berrando que nem malucos (a última vez que eu vi isso foi no show do radiohead). Tudo bem que metade das músicas eram versões remix de outros cantores, mas o ritmo era até bom. Na verdade, me senti agraciado por ver DJ's tão bons no primeiro festival de música eletrônica que eu fui. Aposto que 80% dessa galerinha aí que se acha a 'turma da rave', não conhecem Dj's realmente bons.
* Atmosphere: A melhor possível. Galera alegre, feliz, pulando de um lado pro outro (com exceção dos moderninhos né) e a grande diferença do festival: mesmo sendo de música eletrônica, luzes, e tudo o mais, não tinha a tal da 'pegação'. Acho que se a maioria dos festivais de música eletrônica e afins fossem nesses moldes, provavelmente eu seria uma pessoa mais sociável, hahaaha. Admito que me deu até vontade de ir no UMF 2012, caso tenha. Mas dessa vez, que pelo menos sejam sinceros e não anunciem bandas que tocarão normalmente como headliners, ou então que não podem totalmente o show destas.
---------------------------------------------------------------------
Próximo post ou eu devo escrever sobre sertanejo universitário, ou sobre a Sarah Records (minha paixão instantânea) ou sobre os dois, sei lá.
De festivais de música eletrônica, o máximo que eu já tinha chegado perto é dessas festas que começam normal e terminam em rave (Isto é, na minha cidade natal são as típicas festas que dizem ser de rock, você chega lá encontra uma micareta danada e no final todo mundo louco pagando de trancer na pista). Ano passado eu quase animei ir na tal da Playground por causa dos brinquedos, e ainda bem que não fui porque descobri depois que tinha no máximo uns 4, e dos muito toscos. Assim, Lá fui eu, totalmente inexperiente no maior festival de música eletrônica do Brasil.
É claro que eu só estava indo para ver o New Order. Nem conhecia direito o resto das bandas ou DJ's, e pouco me importava quem estaria lá. Como fã de N.O. e Joy Division, seria muito difícil que qualquer nome no line up do festival não passasse por mim como irrelevante. Entretanto, já que eu estava lá, seria uma boa hora para entender como funcionam esses festivais, a lógica, orgnanização, público, etc. Vamos lá:
* Local: Sambódromo do Anhembi. Localização ótima, perto da rodoviária, em um lugar asfaltado, impossibilitando lamaçal. No início tive algumas dúvidas sobre a acústica do local, sobre a alocação de pessoas na hora dos shows, etc. Mas correu até tudo bem. A organização foi impecável. Distribuíram porta bitucas, colocaram um grupo de pessoas à disposição para mostrar o processo de reciclagem dos lixos, além de coleta seletiva. Nem precisa dizer que pareceu muito mais sustentável que o SWU, né. Falando nisso, os preços não estavam tão abusivos (sempre são, né, mas pelo menos estavam a nível de festival mesmo). Disponibilizaram algumas cadeiras para o pessoal sentar, o que foi uma boa na hora de comer, porque ninguém aguenta ir em um festival e até na hora de comer ficar em pé.
Os palcos ficaram organizadinhos, telões bacanas, etc. Não vi nada a respeito, mas desconfio que o pessoal do Planeta Terra Festival esteve envolvido na organização. Foi bem o estilinho.
* Público: Altamente variado. Como sempre, tinham os metidos a moderninhos e pagantes de alternativos, que demoram 19 horas só para escolher a camisa que vão ao festival. O pessoal que queria ver o New Order geralmente era mais velho e mais sério. No mais, um público muito bonito e produzido, que foi para ver o show dos DJ's. Nas área vip, riquinhos paulistas e 'vips' esbanjando ... mediocridade. (É claro que não dá pra generalizar)
* Shows:
Copacabana Club: Acho que essa banda está cada vez melhor. Pena que foi a primeira banda a tocar, então não tinha um público muito grande. Gostei mais ainda desse show do que a primeira vez que os assisti, aqui em Belo Horizonte (até porque não teve problemas de som como houve na última vez).Acredito que daqui um tempo terão uma projeção ainda maior, principalmente por causa do pessoal da banda, que parecem ser muito simpáticos
Soulwax: Um eletrônico beem agressivão, curti. Lembro que antes do show começar, eu disse que "ia pular para não estressar ao esperar o New Order", mas acabei pulando de verdade. O pessoal sabe fazer som pesado com sintetizadores, pesado ao ponto de até incomodar, algumas vezes. O único problema é que as músicas soavam muito parecidas. Se for para fazer algo parecido, deveriam ser mais minimalistas, soaria melhor. Mas mesmo assim, gostei muito e quero até ouvir melhor posteriormente.
New Order: bom, para escrever sobre o new order, preciso separar meu eu crítico em 2.
1- Como fã de Joy Division: Fantástico, vi 2 dos membros da formação original da banda, tocaram Ceremony, uma das últimas músicas do Joy. Uma pena Peter Hook não estar mais na banda, e eu não ter visto Stephen Morris passear no meio do povo antes do show começar, acho que até infartaria.
2- Como fã de New Order: Simplesmente um desrespeito com os fãs. Primeiramente, por saírem anunciando por aí que New Order seria uma das atrações principais. Não foi nem longe disso, a banda tocou como uma iniciante, 'abrindo' show para DJ's que na maioria nem tem música própria direito. Isso é quase inconcebível dentro do mundo da música eletrônica. Depois, que os roadies e a organização demoraram um tempão para arrumar os equipamentos em cima do palco, e ainda por cima fizeram tudo errado. Quando tocaram 'crystal', não deu para ouvir nem a voz de Sumner direito. Aos poucos, foram organizando o som, até porque a banda reclamava em cada intervalo... Gillian Gilbert, multiinstrumentista que voltou pra banda, fez questão de manter seu jeitinho blasé e nem cumprimentar a plateia, que berrava seu nome. Quanta chatice. Até Jim Reid deu um tchauzinho, quando veio em 2008 no brasil com o JAMC...
Enfim, eu esperava pelo menos 15 músicas, e eles tocaram 9. Tudo bem, que tocaram os sucessos e tal, mas não vingou. No momento que saíram do palco, pensei na hora "aaah, vão voltar e tocar Love Will Tear Us Apart", mas nada. Foram embora e nem voltaram. Para quem viajou 500km pra ver só uma banda, foi um pouco decepcionante.
Death From Above 1979: Apesar de ser uma banda famosinha no meio alternativo, nunca tinha escutado antes. O máximo que eu conhecia era a citação da música do CSS (ótima música, por sinal). Mas, sinceramente, achei MUITO RUIM. Deu a impressão que são dois malucos que não sabem tocar nada e tentam ser os novos sonic youth fazendo barulhos sem sentido e sem um pingo de harmonia musical. Péssimo, péssimo. Nem mesmo a presença de Igor Cavalera no finalzinho me fez trocar de opinião. Não consegui nem assistir o show todo, de tanto que eu achei fraquinho. Aliás, estou cansado dessa mania que o pessoal está de fazer esse tipo de banda (faltando instrumento, tipo kills, white stripes, etc), somente alguns tem o dom e a verdade é que DFA1979 não tem. Coitados.
Dj's em geral: mesma coisa de sempre, mas pelo menos têm um gosto melhorado para samplear, o que faz um pouco de diferença na pista. Você realmente sente vontade de dançar, é uma espécie de lavagem cerebral. Quem toma doce para 'ficar doidão' nesses eventos particularmente vacila muito, porque a própria frequência da música já te deixa um pouquinho alterado (falo isso porque nem bebo e com 15 minutinhos já fico dançando que nem a maioria da galera que está Loaded).
Swedish House Mafia: Sobre esse trio de Dj's, tenho que escrever separadamente, porque realmente me chamaram a atenção. Sobre house music (O QUE CHAMAM HOJE DE HOUSE MUSIC NÉ, porque a impressão que se tem é que a clássica batida 4/4 da música eletrônica se corrompeu em um bate-estaca chato, na maioria das vezes), não entendo muita coisa, porém fiquei pasmo com o tanto que a galera pira nos caras. As músicas nem começavam, e o pessoal já estava berrando que nem malucos (a última vez que eu vi isso foi no show do radiohead). Tudo bem que metade das músicas eram versões remix de outros cantores, mas o ritmo era até bom. Na verdade, me senti agraciado por ver DJ's tão bons no primeiro festival de música eletrônica que eu fui. Aposto que 80% dessa galerinha aí que se acha a 'turma da rave', não conhecem Dj's realmente bons.
* Atmosphere: A melhor possível. Galera alegre, feliz, pulando de um lado pro outro (com exceção dos moderninhos né) e a grande diferença do festival: mesmo sendo de música eletrônica, luzes, e tudo o mais, não tinha a tal da 'pegação'. Acho que se a maioria dos festivais de música eletrônica e afins fossem nesses moldes, provavelmente eu seria uma pessoa mais sociável, hahaaha. Admito que me deu até vontade de ir no UMF 2012, caso tenha. Mas dessa vez, que pelo menos sejam sinceros e não anunciem bandas que tocarão normalmente como headliners, ou então que não podem totalmente o show destas.
---------------------------------------------------------------------
Próximo post ou eu devo escrever sobre sertanejo universitário, ou sobre a Sarah Records (minha paixão instantânea) ou sobre os dois, sei lá.
domingo, 20 de novembro de 2011
Balanço Geral SWU dia 14/11
É muito difícil fazer um 'relatório completo sobre o SWU dia 14/11'. E é por isso que EU NÃO VOU FAZER ISSO, mas vou pontuar algumas coisas sobre o evento, desde a excursão até os shows que eu assisti.
Sobre a excursão:
Fiquei muito satisfeito com a UFMG rock. Para ser sincero, foi a primeira vez que eu fui para um show em um ônibus decente, de modo que eu conseguisse dormir que nem gente e de maneira confortável. No início, eu pensei que a viagem seria chata, porque no meu ônibus parecia que só tinha metaleiro (tive certeza depois que colocaram o dvd do Dio para rodar), mas como eu dormi, nem vi o que aconteceu. Cheguei em Paulínia totalmente revigorado, porque consegui fazer uma boa viagem. Lembro que no planeta terra 2010 eu já cheguei morto por causa do ônibus (tanto que no final eu já estava mais exausto do que tudo). O único vacilo que eu cometi foi de não pedir no dia do pagamento da excursão para ir no mesmo ônibus que meu amigo (Loro), o que foi ruim e bom ao mesmo tempo. bom porque se nós tivéssemos no mesmo ônibus, iríamos conversar a viagem inteira.
Sobre os shows e o evento em si:
Muito grandinho o lugar, né. Isso foi legal, porque deu para distribuir bem todas as coisas que o evento comportaria. Os únicos problemas foram a demora na entrada (que me fez perder o show todo dos Raimundos), a chuva (que querendo ou não, é culpa dos organizadores, já que essa época do ano chove sempre) e o lamaçal (não lavei meu tênis até agora, coitado). Sobre a chuva, eu tentei comprar uma capinha para disfarçar, mas nem adiantou muito, já que choveu o dia inteiro e a capa não cobre a perna toda. A jogada de mestre verdadeira foi a dica que o Marcelo Rodarte me deu de colocar uma sacola no tênis. Aí, pelo menos, meus pés ficaram ilesos e aguentaram todo o festival.
Creio que me surpreendi em todos os shows. Como disse, queria ter visto o Raimundos todo (cheguei só na hora de Eu quero ver o oco). o sistema de colocar um palco na frente do outro foi muito inteligente, porque assim se a pessoa tivesse um mínimo de inteligência, ela conseguiria raciocinar de um jeito a ver o show de sua banda favorita na frente do palco. Mas sempre tinha a manezada que saía correndo de um lado para o outro pra tentar pegar grade, aí é complicado... Sobre os shows que eu assisti , vão alguns comentários breves:
* Duff McKagan Loaded - normal. Vi um pedaço dele sentado na arquibancada, achei até bastante regular, entretanto não me empolguei, até porque não conhecia nenhuma música, exceto Atitude, um cover dos Misfits que rolou no finalzinho. Nessa hora eu já estava até em pé, na frente do palco esperando o BRMC aparecer.
* Black Rebel Motorcycle Club - A apatia, os rostos fechados, tudo isso eu já esperava. Heh, eles são altamente influenciados pelo Jesus and Mary Chain, MBV, e afins, é óbvio que tocariam o show inteiro olhando para baixo. E olha que ainda no final o baixista desceu até a galera do gargarejo. Achei um show legalzão, bem completo, principalmente por se tratar de um power trio. Faltaram algumas músicas, mas... curti mesmo assim.
* Down - Phil Anselmo. Isso resume toda a porrada que foi o show. Comecei a ter medo do cara depois que ele sangrou a testa de tanto bater o microfone nela. Mas assustei mais ainda quando mostrava a plateia e o pessoal fazendo moshing no telão. Dava medo até de olhar, aquele tanto de cara parrudo, careca, tatuado até na gengiva, brincando de 'lutinha'. O show deu para dar um up no pessoal, agitou muito mesmo, sem contar que tocaram trechos de pantera, o Duff acabou fazendo uma pontinha no palco também.
* 311 - Não vi, porque eu queria ficar na frente para assistir o sonic youth. Mas de longe, pareceu que foi meio tosco, sei lá.
* Sonic Youth - é meio complicado eu escrever sobre SY, porque qualquer coisa que eles fizessem no palco, eu como fã de longa data acharia o máximo. Foi interessante porque até os vendedores de cerveja pararam para assistir o show (isso mesmo, eles abaixaram a 'bandeirinha', ficaram quietinhos, assumiram que queriam ver o show para qualquer um ouvir). Li em alguns sites, e ouvi alguns comentários que o show fora mediano. Bom, particularmente acho que o pessoal que disse isso não tem muito conhecimento sobre SY. Os caras praticamente só tocaram hits!!! É o que eu sempre digo, metade do pessoal que diz gostar de sonic youth fala para 'pagar de doidão alternativo', porque o show foi sensacional, nos parâmetros da banda. É ÓBVIO que poderia ser melhor, mas temos que entender que eles já perderam um pouco do pique (quase 30 anos de banda), e mesmo assim eles continuam a fazer o clássico experimentalismo com asa guitarras e baixos. Thurston Moore sempre surpreende com suas gracinhas (adorei a 'surra de cabo' que ele deu na guitarra).
Melhores momentos do show: Schizophrenia (que Moore disse chamar 'Sister') e Teenage Riot, que eu mesmo não aguentei e puxei um empurra-empurra no canto direito do palco (na filmagem da multishow dá pra ver nitidamente!). Fãs de Sonic Youth sabem o que Teenage Riot significa no cenário alternativo do rock.
* Primus - Não vi, mas parecia que o show foi bacana. Nessa hora eu fui comer, estava exausto.
* Megadeth - vi algumas músicas, bem de longe. Apesar de ser um show agitadão, eu não animei a ver de perto, até porque nem era muito o meu espírito do momento. Melhor deixar para os metaleiros se mataram ao som de Symphony of Destruction.
* NÃO PRECISO NEM FALAR QUE NÃO CHEGUEI NEM PERTO DE SHOW DO SIMPLE PLAN, NÉ.
* Stone Temple Pilots - Muito bom o show! Deu para eu dar uma 'esquentada', já que eu estava altamente ensopado e o frio começava a pairar sobre o festival. Concordo com as críticas que eu li que o show começou meio morno e foi melhorando depois, porque realmente foi assim. Parece que no começo o pessoal da banda estava meio desanimado, e foi agitando com o tempo. Músicas como 'Plush', 'Big Bang Baby' moveram o público.
* Alice in Chains - A galera adorou (com exceção dos fãs hardcores que ainda não aceitam o novo vocalista), mas eu passei muito frio no show, a ponto de sair pulando até com músicas mais lentas, para esquentar. Minha capa de chuva já tinha ido pro saco uma hora dessas, estava ensopado, etc. Assisti o show mais de trás, e para ser bem sincero, eu esperei que fosse ser melhor, mas mesmo assim foi um bom show.
Antes de faith no more, um vídeo sobre sustentabilidade para fingir que o festival é feito para isso e ... bom, pelo menos a trilha sonora foi O sal da terra , de Beto Guedes. tá valendo.
* Faith no More - Eu nunca gostei e ainda não gosto de FNM. Porém, admito que o show deles foi um dos mais animados que eu já assisti. O tal do Mike Patton tem uma presença de palco mística, e soube aproveitar bem o fato de ser headliner para deixar o público muito satisfeito. Continuo não gostando de faith no more, mas agora entendo porque a banda tem tantos fãs. O show deles é maravilhoso, a interação com a plateia é nota 10 (os caras falam português, caramba!!!!), e o momento que cantaram Epic foi literamente épico. Ganharam meu respeito a partir desse show, sinceramente.
Por fim, um show de fogos de artifícios, para terminar o SWU, e a volta para casa...
Outros fatores:
SUSTENTABILIDADE PARA QUEM? : nunca me senti tão extorquido na minha vida, principalmente no momento que me cobraram 7 reais em uma coca cola. Nunca pensei que usaria essa frase, mas esse capitalismo selvagem é tenso, viu (junto com a maldita teoria de Adam Smith da oferta x demanda). Como disse meu amigo Loro, seria melhor que cobrassem o dobro no ingresso do que furarem os olhos do pessoal na hora. Além disso, não vi nada de sustentabilidade no evento. Planeta Terra me pareceu muito mais, entregando porta-bitucas de cigarro, preços mais acessíveis, etc.
SWU definitivamente não é um festival para estudantes. É tudo muito caro, altamente burocrático, etc. Isso porque eu fui de ônibus, porque o que eu vi do pessoal reclamar do estacionamento...
Por que os fóruns foram fechados ao público normal?
- Ah sim, tiraram a área vip lá na frente (o que era um absurdo!)
Apesar de tais defeitos, é preciso admitir que o line-up do SWU foi muito superior ao do Rock 'n Rio. Os shows (pelo menos do dia 14) respeitaram bem os horários previstos, e o fato de vendedores ambulantes venderem no meio da galera (mesmo que muito caro) é uma mão na roda. As placas indicativas pela estrada devem ter ajudado muito também o pessoal que estava indo para o evento. No final das contas, foi um dia muito rock n' roll, com ótimas bandas, ótimos shows. Vamos ver o que SWU 2012 aguarda, e se consegue manter o seu bom nome.
------------------------------------------------------------
Por fim, fico triste por não poder ir ao New Order, e fico na expectativa da confirmação do line up para o Lollapalooza. Sinceramente, a lista de bandas que estão mostrando na internet ainda soa meio fraco para um festival famoso internacionalmente....
Sobre a excursão:
Fiquei muito satisfeito com a UFMG rock. Para ser sincero, foi a primeira vez que eu fui para um show em um ônibus decente, de modo que eu conseguisse dormir que nem gente e de maneira confortável. No início, eu pensei que a viagem seria chata, porque no meu ônibus parecia que só tinha metaleiro (tive certeza depois que colocaram o dvd do Dio para rodar), mas como eu dormi, nem vi o que aconteceu. Cheguei em Paulínia totalmente revigorado, porque consegui fazer uma boa viagem. Lembro que no planeta terra 2010 eu já cheguei morto por causa do ônibus (tanto que no final eu já estava mais exausto do que tudo). O único vacilo que eu cometi foi de não pedir no dia do pagamento da excursão para ir no mesmo ônibus que meu amigo (Loro), o que foi ruim e bom ao mesmo tempo. bom porque se nós tivéssemos no mesmo ônibus, iríamos conversar a viagem inteira.
Sobre os shows e o evento em si:
Muito grandinho o lugar, né. Isso foi legal, porque deu para distribuir bem todas as coisas que o evento comportaria. Os únicos problemas foram a demora na entrada (que me fez perder o show todo dos Raimundos), a chuva (que querendo ou não, é culpa dos organizadores, já que essa época do ano chove sempre) e o lamaçal (não lavei meu tênis até agora, coitado). Sobre a chuva, eu tentei comprar uma capinha para disfarçar, mas nem adiantou muito, já que choveu o dia inteiro e a capa não cobre a perna toda. A jogada de mestre verdadeira foi a dica que o Marcelo Rodarte me deu de colocar uma sacola no tênis. Aí, pelo menos, meus pés ficaram ilesos e aguentaram todo o festival.
Creio que me surpreendi em todos os shows. Como disse, queria ter visto o Raimundos todo (cheguei só na hora de Eu quero ver o oco). o sistema de colocar um palco na frente do outro foi muito inteligente, porque assim se a pessoa tivesse um mínimo de inteligência, ela conseguiria raciocinar de um jeito a ver o show de sua banda favorita na frente do palco. Mas sempre tinha a manezada que saía correndo de um lado para o outro pra tentar pegar grade, aí é complicado... Sobre os shows que eu assisti , vão alguns comentários breves:
* Duff McKagan Loaded - normal. Vi um pedaço dele sentado na arquibancada, achei até bastante regular, entretanto não me empolguei, até porque não conhecia nenhuma música, exceto Atitude, um cover dos Misfits que rolou no finalzinho. Nessa hora eu já estava até em pé, na frente do palco esperando o BRMC aparecer.
* Black Rebel Motorcycle Club - A apatia, os rostos fechados, tudo isso eu já esperava. Heh, eles são altamente influenciados pelo Jesus and Mary Chain, MBV, e afins, é óbvio que tocariam o show inteiro olhando para baixo. E olha que ainda no final o baixista desceu até a galera do gargarejo. Achei um show legalzão, bem completo, principalmente por se tratar de um power trio. Faltaram algumas músicas, mas... curti mesmo assim.
* Down - Phil Anselmo. Isso resume toda a porrada que foi o show. Comecei a ter medo do cara depois que ele sangrou a testa de tanto bater o microfone nela. Mas assustei mais ainda quando mostrava a plateia e o pessoal fazendo moshing no telão. Dava medo até de olhar, aquele tanto de cara parrudo, careca, tatuado até na gengiva, brincando de 'lutinha'. O show deu para dar um up no pessoal, agitou muito mesmo, sem contar que tocaram trechos de pantera, o Duff acabou fazendo uma pontinha no palco também.
* 311 - Não vi, porque eu queria ficar na frente para assistir o sonic youth. Mas de longe, pareceu que foi meio tosco, sei lá.
* Sonic Youth - é meio complicado eu escrever sobre SY, porque qualquer coisa que eles fizessem no palco, eu como fã de longa data acharia o máximo. Foi interessante porque até os vendedores de cerveja pararam para assistir o show (isso mesmo, eles abaixaram a 'bandeirinha', ficaram quietinhos, assumiram que queriam ver o show para qualquer um ouvir). Li em alguns sites, e ouvi alguns comentários que o show fora mediano. Bom, particularmente acho que o pessoal que disse isso não tem muito conhecimento sobre SY. Os caras praticamente só tocaram hits!!! É o que eu sempre digo, metade do pessoal que diz gostar de sonic youth fala para 'pagar de doidão alternativo', porque o show foi sensacional, nos parâmetros da banda. É ÓBVIO que poderia ser melhor, mas temos que entender que eles já perderam um pouco do pique (quase 30 anos de banda), e mesmo assim eles continuam a fazer o clássico experimentalismo com asa guitarras e baixos. Thurston Moore sempre surpreende com suas gracinhas (adorei a 'surra de cabo' que ele deu na guitarra).
Melhores momentos do show: Schizophrenia (que Moore disse chamar 'Sister') e Teenage Riot, que eu mesmo não aguentei e puxei um empurra-empurra no canto direito do palco (na filmagem da multishow dá pra ver nitidamente!). Fãs de Sonic Youth sabem o que Teenage Riot significa no cenário alternativo do rock.
* Primus - Não vi, mas parecia que o show foi bacana. Nessa hora eu fui comer, estava exausto.
* Megadeth - vi algumas músicas, bem de longe. Apesar de ser um show agitadão, eu não animei a ver de perto, até porque nem era muito o meu espírito do momento. Melhor deixar para os metaleiros se mataram ao som de Symphony of Destruction.
* NÃO PRECISO NEM FALAR QUE NÃO CHEGUEI NEM PERTO DE SHOW DO SIMPLE PLAN, NÉ.
* Stone Temple Pilots - Muito bom o show! Deu para eu dar uma 'esquentada', já que eu estava altamente ensopado e o frio começava a pairar sobre o festival. Concordo com as críticas que eu li que o show começou meio morno e foi melhorando depois, porque realmente foi assim. Parece que no começo o pessoal da banda estava meio desanimado, e foi agitando com o tempo. Músicas como 'Plush', 'Big Bang Baby' moveram o público.
* Alice in Chains - A galera adorou (com exceção dos fãs hardcores que ainda não aceitam o novo vocalista), mas eu passei muito frio no show, a ponto de sair pulando até com músicas mais lentas, para esquentar. Minha capa de chuva já tinha ido pro saco uma hora dessas, estava ensopado, etc. Assisti o show mais de trás, e para ser bem sincero, eu esperei que fosse ser melhor, mas mesmo assim foi um bom show.
Antes de faith no more, um vídeo sobre sustentabilidade para fingir que o festival é feito para isso e ... bom, pelo menos a trilha sonora foi O sal da terra , de Beto Guedes. tá valendo.
* Faith no More - Eu nunca gostei e ainda não gosto de FNM. Porém, admito que o show deles foi um dos mais animados que eu já assisti. O tal do Mike Patton tem uma presença de palco mística, e soube aproveitar bem o fato de ser headliner para deixar o público muito satisfeito. Continuo não gostando de faith no more, mas agora entendo porque a banda tem tantos fãs. O show deles é maravilhoso, a interação com a plateia é nota 10 (os caras falam português, caramba!!!!), e o momento que cantaram Epic foi literamente épico. Ganharam meu respeito a partir desse show, sinceramente.
Por fim, um show de fogos de artifícios, para terminar o SWU, e a volta para casa...
Outros fatores:
SUSTENTABILIDADE PARA QUEM? : nunca me senti tão extorquido na minha vida, principalmente no momento que me cobraram 7 reais em uma coca cola. Nunca pensei que usaria essa frase, mas esse capitalismo selvagem é tenso, viu (junto com a maldita teoria de Adam Smith da oferta x demanda). Como disse meu amigo Loro, seria melhor que cobrassem o dobro no ingresso do que furarem os olhos do pessoal na hora. Além disso, não vi nada de sustentabilidade no evento. Planeta Terra me pareceu muito mais, entregando porta-bitucas de cigarro, preços mais acessíveis, etc.
SWU definitivamente não é um festival para estudantes. É tudo muito caro, altamente burocrático, etc. Isso porque eu fui de ônibus, porque o que eu vi do pessoal reclamar do estacionamento...
Por que os fóruns foram fechados ao público normal?
- Ah sim, tiraram a área vip lá na frente (o que era um absurdo!)
Apesar de tais defeitos, é preciso admitir que o line-up do SWU foi muito superior ao do Rock 'n Rio. Os shows (pelo menos do dia 14) respeitaram bem os horários previstos, e o fato de vendedores ambulantes venderem no meio da galera (mesmo que muito caro) é uma mão na roda. As placas indicativas pela estrada devem ter ajudado muito também o pessoal que estava indo para o evento. No final das contas, foi um dia muito rock n' roll, com ótimas bandas, ótimos shows. Vamos ver o que SWU 2012 aguarda, e se consegue manter o seu bom nome.
------------------------------------------------------------
Por fim, fico triste por não poder ir ao New Order, e fico na expectativa da confirmação do line up para o Lollapalooza. Sinceramente, a lista de bandas que estão mostrando na internet ainda soa meio fraco para um festival famoso internacionalmente....
Assinar:
Postagens (Atom)